A primeira experiência como repóter de uma revista a gente nunca esquece, muito menos se essa experiência for em um lugar bizarro, com pessoas medonhas que fazem você ficar com medo até de respirar perto delas, pois pode parecer ofensa, sei lá.
Hoje eu e o meu camarada Paulo Santos (fotógrafo) fomos para Pilar, próximo à Caxias, aqui na Baixada Fluminense mesmo. 1h de busão e você já está lá, assustado e com a maior vontade de ir embora que você poderia sentir na sua vida.
O que fomos fazer lá? Pois então, a revista Baixada Verde (revista da ONG Onda Verde – http://www.ondaverde.org.br ) está fazendo uma matéria sobre o Rio Iguaçu, um rio que tem um histórico super interessante e é muito importante para a história de Nova Iguaçu e eu e o Paulo fomos para lá terminar essa matéria com o único trecho que faltava: O encontro do Rio Iguaçu com o Sarapuí.
Ao chegar no local já nos deparamos com o mau-cheiro que vinha do rio, que atualmente é um valão e, para completar a festa, o povo todo mau-encarado e lugar muito barra-pesada. É, a vida de repórter não é fácil, mas esse é nosso trabalho e não poderiamos desistir, muito menos eu que estava fazendo meu primeiro trabalho para a revista. Não podemos nunca perder a oportunidade, mesmo que tudo seja contra o que você foi fazer. Nosso primeiro contato foi com uns peões que estavam em uma obra próxima à ponte e, como já era de se esperar, a recepção deles não foi das melhores, assim como a de todo o resto do povo com quem falamos. Nós chegamos a tentar dar uma volta para ver se achava mais alguém, mas a rua era de dar medo, então nós preferimos não seguir muito para não correr nenhum tipo de risco.
Um rapaz que estava bebendo em um boteco veio perguntar o que queríamos e eu expliquei que somos de uma revista (mostrei a revista) que está fazendo uma matéria sobre o Rio Iguaçu desde a nascente até a sua foz e eu vi uma certa empolgação para com a matéria, mas quando falamos de entrevista ninguém se prontificou a fazê-la. Por que? Bom, um dos rapazes que falou conosco chegou a perguntar em determinado momento se isso era alguma coisa de política e nem com a resposta sendo negativa o povo quis dar a entrevista, a não ser que a mesma fosse sem identificação, o que não nos interessava. O Paulo, depois de 20 minutos no local, já estava desesperado para vir embora, assim como eu, e correu para tirar umas fotos e depois paramos novamente para conversar com o povo. Eu peguei meu MP3 player e liguei o REC para gravar a conversa. Jornalista previnido é outra coisa mas, para a minha surpresa, um dos rapazes disse “Desliga isso aí, cara!”. Quem sou eu para contestar? Lugar barra-pesada, bêbado com cara de maníco, eu só respondi “É claro, chefia. Relaxa”. Fala sério, tenho amor à vida.
Depois de muito papo com um bêbado paraíba, um bêbado carioca, a dona do boteco e muita sensação de que ia acontecer algo ruim, eu e o Paulo viramos e tomamos o rumo do ponto para pegar o ônibus de volta para casa. Não conseguimos fazer nenhuma entrevista, afinal, nós não estávamos nem sabendo como chegar nas pessoas por temer as reações das mesmas. Vai que acham que a gente é algum X9, ou até mesmo coisa de político como disse o bêbado paraíba? Foi melhor não ter arriscado, mesmo que isso tenha implicado em deixar a matéria sem o incremento que seria a entrevista com algum morador da região.
Mesmo tristes por não termos conseguido as entrevistas e sido prejudicados pela chuva que atrapalhou consideravelmente as fotos, eu e o Paulo pegamos o caminho da roça e eu fui fazendo algumas anotações no caderno para não esquecer de nada na hora de redigir a matéria. Conseguimos um conteúdo razoável de informações para a matéria que entrará na edição desse mês.
Apesar de pegar aquela chuva desgraçada, de morgar dentro do ônibus, de ir para um lugar no qual eu me senti ameaçado por tudo e por todos e de ficar ouvindo um paraíba bêbado enchendo a porra do meu saco, eu estou bem feliz com isso tudo. Sim, feliz, pois foi meu primeiro trabalho oficial para uma revista.
A experiência valeu muito à pena para mim e eu estou bem feliz com o resultado. Não foi só minha primeira reportagem, foi minha primeira reportagem e já foi cheia de fortes emoções, cheia de adrenalina e eu com a moral de virar pro povo e falar “Olá, sou repórter da revista Baixada Verde e estou aqui para fazer uma matéria sobre….” é uma sensação única.
É, a primeira vez é inesquecível…